terça-feira, 21 de agosto de 2012

A caneta começou com a Isabel mas no final deu muitas voltas

Conversas com o sol a bater e o ponto mais alto da serra ao fundo. Contar uma história, ou várias. Falar mais do que ouvir e dar aos outros o que somos. Não saber bem como começou. E o sol descia e a confusão começava a acumular-se. Mas não apetecia ir tratar da confusão, e a conversa adiantava-se até já não poder mais. Mas havia mais. E quando se adia depois são umas coisas atrás das outras até se conseguir cumprir o resto. E adiámos outra vez. Hoje lia algures de outro campo que não era o movimento que transformava as pessoas mas que este sim é composto por pessoas que nos transformam, algo do género. Não sei o que há neste sol a bater, e nestas brisas de fim de tarde, que nos trazem estes laços que passam também para os fins de tarde em que o sol não bate porque estão prédios à nossa volta. Se calhar é tão batido este espanto sempre que se volta cheio do movimento, mas eu não deixo nem quero deixar de o ter. Não é só o espanto de existir quando a estrada solarenga da serra nos sorri, é o espanto de existirem estas pessoas, e de todos juntos fazermos o que fazemos. Porque às vezes a preguiça cria me resistência a certas coisas, e quando volto, como voltei desta vez, encho me da certeza que vale tanto a pena voltar. Foi um ano e pêras de MOCAMFE. Um ano de preguiça fez me desligar um pouco e até faltar à festa dos 40 (que burrice), mas depois tive este banho desde Agosto passado. Mas que banho tão bom! Parto num avião já a pensar que mais movimento posso ser este ano. Mesmo que a experiência seja pouca para contribuir, basta ouvir às vezes, estar presente. Sede de levar isto para a frente. Outubro e Fevereiro puseram me nas mãos tanta história, que infelizmente talvez demore a remexer (só faz falta quem cá está), e vem me agora à memória coisas que lá li, que faziam a mesma pergunta que me faço. Como é que não há gente suficiente todos os verões? Como é que a vida corre tão rápido que nos consome e nos tira tempo de viver? Porque sei que também vai chegar a minha altura de não poder. Mas como? Há tanto tão bom e diverso, intenso, que nos faz vibrar, é verdade, e viver. Cada coisa à sua maneira. Mas neste campo ( e mais uma vez caio no clichet, mas que se lixe, tivesse eu melhores palavras seria poeta...), numa simples viagem de carro, senti que estes 17 dias, aliás, não foi só sentir, foi ter a certeza, foi quase querer gritar alto de ter tido tão bem a certeza, que o Mocamfe me traz uma das soluções à angústia de "não viver, só existir". Porque tenho a certeza que nestes dias vivo, e respiro o mais fundo dos meus pulmões.
Começou em conversas antes de uma noite estrelada e acabou no movimento em si. Nunca consegui cingir-me ao mesmo tema. Vagueio entre todas as memórias e sentimentos e tão complicado que é. Que ambição tão grande tinha o sonhador da Ode Marítima, que para mim gerir isto é complicado. São muitas coisas. É difícil digerir. Talvez com a minha partida para outro continente assente. Talvez demore mais a assentar, não sei. Talvez só assente com o sol a bater e o ponto mais alto da serra de novo ao fundo.

2 comentários:

Inês Santarino disse...

Vai demorar a assentar Mimi. Vai demorar até à próxima ideia de voltares ao movimento. Aí, novo sentimento virá.

catarina alarcão disse...

lindo sobrinha...só quem vive o mocamfe entenderá, na plenitude, as tuas palavras. felizes que somos de fazermos parte dele.